Os cinco sons do inglês que o português não tem

Os cinco sons do inglês que o português não tem

Por que ship e sheep soam iguais para o ouvido brasileiro — e o que fazer a respeito.

Por Dr. Ivani Vassoler-Froelich PhD · Docente da SUNY
Pessoa praticando pronúncia em inglês com fone de ouvido e microfone

Todo idioma treina o ouvido de quem cresce nele. O português brasileiro tem sete vogais orais, e o inglês americano tem entre onze e quinze, dependendo de como você conta. Isso significa que existem sons ingleses para os quais o seu ouvido simplesmente nunca foi calibrado — e o cérebro faz o que sempre faz diante de algo desconhecido: encaixa no som mais próximo que ele já conhece.

Não é falta de esforço nem falta de talento. É perceptivo. E a boa notícia é que percepção se treina em qualquer idade.

1. O i curto de ship

O par mais famoso: ship (navio) e sheep (ovelha). O português só tem um i, o longo e tenso de “vi”. O inglês tem também um i curto e relaxado, produzido com a língua mais baixa e a boca ligeiramente mais aberta.

O erro custa caro em contextos reais: I need a sheet of paper e o seu equivalente com o i curto são duas frases muito diferentes de se dizer em uma reunião.

2. O th de think e de this

São dois sons distintos, ambos ausentes do português, e ambos produzidos com a ponta da língua entre os dentes. Falantes de português costumam substituí-los por t, d, f ou s — e aí think vira sink, they vira day.

A correção é mecânica antes de ser auditiva: a língua precisa aparecer. Alunos costumam achar estranho, e é mesmo — por alguns dias.

3. O h aspirado de house

Em português, o h escrito é mudo. Em inglês ele é um sopro real. Quando esse sopro não acontece, heat soa como eat. E quando ele aparece onde não deveria — um hábito de supercorreção comum — hour ganha um h que não existe.

4. O r retroflexo de red

O r do inglês americano não toca o céu da boca. A língua se curva para trás sem encostar em nada. O r forte do português, produzido na garganta, muda completamente a palavra: red pronunciado com r brasileiro fica mais perto de head para o ouvido americano.

5. As consoantes finais que não ganham vogal

Este é o mais persistente de todos. O português quase não termina sílaba em consoante, então adicionamos uma vogal de apoio sem perceber: hot dog vira hotchy dogui, Facebook ganha um i no fim.

Em uma palavra isolada, isso passa. Em uma frase inteira, cada vogal extra acrescenta uma sílaba, o ritmo desmonta e o interlocutor perde o fio.

Como treinar isso de verdade

Escutar muito inglês ajuda, mas não basta. O ouvido continua encaixando o som novo na categoria antiga até que alguém aponte a diferença explicitamente. O que funciona é trabalhar com pares mínimos — duas palavras que diferem por um único som — ouvindo, produzindo e recebendo correção imediata.

É exatamente o tipo de trabalho que rende mais em aula individual do que em turma: ninguém consegue corrigir a posição da língua de quinze pessoas ao mesmo tempo.

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